Terça-feira, 1 de Abril de 2014

117 – Canguru Num Livro de Orações de 1580

    Apareceu há meses um velhíssimo manuscrito português, datado dos finais do século XVI, que tem uma particularidade interessantíssima para os historiadores e para os portugueses: uma capitular maiúscula mostra um canguru desenhado na letra D. O facto em si não é despiciente de todo, pois o manuscrito é anterior à descoberta oficial da Austrália e pode, assim, servir de testemunho documental de que Portugal descobriu a terra australiana muito antes dos holandeses, juntando-se, assim, às outras provas e indícios no mesmo sentido.

 

    Trata-se dum texto original com 63 fólios sobre papel, encadernação inteira de pele com filete duplo e inscrição gravada a ouro nas pastas com o nome da proprietária Caterina de Carvalho. O manuscrito apresenta uma cercadura a enquadrar a pauta com notação musical, escrita a tinta negra e vermelha, guarnecida por letra gregoriana em latim. Está ilustrado com dezenas de letras capitulares maiúsculas iluminadas e coloridas, guarnecidas com figuras de fantasia, humanos, animais e motivos vegetalistas.

 

    O manuscrito em causa é um missal ou livro de orações com músicas para cerimónias religiosas, com cânticos gregorianos da missa solene, salmos, hinos e elegias e foi escrito em latim e em português e data de 1580 – 1600. Ora a descoberta dum canguru num manuscrito tão antigo prova, de forma indesmentível, que o artista iluminador teve acesso, então, aos relatórios da viagem ao continente e que diversos desenhos de marsupiais já circulavam em Portugal.

 

    O livrinho manuscrito pertenceu a uma Catarina de Carvalho, freira em Caldas da Rainha, segundo dizem e noticiaram na ocasião, o que parece não estar conforme. Contudo, nessa época vivia na urbe caldense uma tal Catarina de Carvalho, esposa dum Felício Rodrigues e mãe que foi de frei Jorge de S. Paulo de Brito, sendo este documentado como provedor do Hospital das Caldas.

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 13:50
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Sábado, 1 de Março de 2014

116 – Banquete Aristocrático no Século XIV

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 13:58
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Sábado, 1 de Fevereiro de 2014

115 - Anfisbena

    A anfisbena, que advém do grego amphisbaina e do latim amphisbaena, com o sentido de «serpente que anda nos dois sentidos», era uma cobra fabulosa e monstruosa representada na heráldica e iluminura com uma cabeça em cada extremidade, uma no lugar apropriado e outra no sítio da cauda. Devido a essa particularidade bicéfala, podia andar em qualquer das direcções, para a frente e às arrecuas. Gozava, também da fama de guardião da guarda dos tesouros dos antigos deuses gregos e, por causa da bicefalia, derramava o dobro do veneno em relação a qualquer outro ofídio.

 

    A acreditar no Santo Isidoro de Sevilha (Etimologias, Livro 12), «os seus olhos brilham como lâmpadas», para além do condão único de poder sair durante o frio e enfrentar as temperaturas mais baixas. Não conheço o seu uso na heráldica portuguesa e na vizinha Espanha tão-somente me lembro das armas outorgadas pelo rei João Carlos I ao 1.º Duque de Fernández-Miranda, em 1977, onde, numa das partições, em campo de vermelho, cinco donzelas postas em aspas e carregadas, cada uma delas, de uma vieira de ouro, estão cercadas por duas serpentes anfisbenas de verde e coroadas.

 

    Já agora, estando a mão de semear e por causa das cobras, convém lembrar que o primeiro timbre usado pelos reis de Portugal, em especial por Dom Fernando I e D. João I, foi a serpe alada de S. Miguel Arcanjo, a anfístera, aquele num conto de contar e este no fecho de abóbora do Claustro dos Reis e da Capela do Fundador, no Mosteiro da Batalha. Timbre que seria depois mudado para um dragão de S. Jorge pelo Mestre de Avis. Mas não se confunda a anfístera – serpente alada – com a anfisbena – cobra de duas cabeças. 

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Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014

114 – Ex-Líbris de António Lima XVII

Ex-líbris de Eduardo dos Santos Maia Mendes, num magnífico desenho de António de Oliveira Lima, datado de 1927. Colecção de Jofre de Lima Monteiro Alves.

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Domingo, 1 de Dezembro de 2013

113 - A Luxúria

    Iluminura do Livro de Horas de Robinet Testard, do último quartel do século XV, que representa a luxúria, um dos sete pecados capitais.

 

    Ambas situações representam as duas maneiras em como o ser humano é tocado pelo deleite da luxúria, através do corpo e da alma. No palco cimeiro vemos um jovem cavaleiro ricamente enfarpelado, vestido de vermelho, verde, branco e azul, ornado com uma farta cabeleira loira cacheada, cujas botas de cano alto exibem umas descomunais esporas, tão simbolicamente fálicas, trazendo na mão direita um exuberante pássaro, que por sua vez seduz com a entoação do seu belo canto. Monta um descomunal bode, provido duns colossais testículos, símbolo da luxúria, agarrando os cornos do animal para manter o equilíbrio.

 

    Na parte inferior, e bem no centro da cena da luxúria cortesã, uma jovem mulher de amarelo é assediada por três luxuriantes homens, sendo que um deles já a abraça por trás, com evidente agrado da donzela. À direita, do observador, outro varão levante a saia duma dama de azul, tocando nas suas partes intimas com a sua mão esquerda, enquanto ela tenta resistir e repelir a violenta abordagem. Atrás do homem, uma jovem vestida de vermelho assiste com manifesto agrado e êxtase à obscenidade.

 

    À esquerda, Asmodeus, príncipe do Inferno, provido duns longos cornos, assiste à cena, que ele próprio dirige e impulsiona com um diabólico dedo da mão direita, entregando as ovelhas ao lobo. O demónio Asmodeus representa o pecado da lascívia desde tempos bíblicos, sendo apontado como aquele que conduziu e submeteu Sodoma à suprema luxúria.

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Sexta-feira, 1 de Novembro de 2013

112 – Ex-Líbris de António Lima XVI


Ex-libris do escritor Carlos Malheiro Dias desenhado por António de Oliveira Lima em 1927.
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Terça-feira, 1 de Outubro de 2013

111 - Grifo

Grifo, que advém do latim tardio gryphus, e este do grego clássico grypós, é o animal mitológico que foi mais utilizado na iluminura e na Arte em geral. Teve a sua origem na Mesopotâmia e dali passou à iconografia assíria, grega, etrusca, bizantina e romana, um pouco por toda a parte, a fim de iluminar telas, jóias, bronzes, granitos e esculturas desde tempos remotos. Animal fantástico, com cabeça, parte dianteira, patas da frente e asas de águia agregados num corpo posterior de leão. Desenhando-se, quase sempre, em postura rampante, foi incorporado na antiga heráldica da família real de Inglaterra, como uma das bestas de suporte do escudo. Foi, também, utilizado como suporte do escudo do rei Filipe II de Espanha e pelo imperador Maximiliano do México. Por sua vez o rei Afonso I de Nápoles fundou a Ordem do Grifo, com um grifo de ouro como emblema. Em Portugal, em alguma iconografia, o Infante Dom Henrique, o Navegador, é representado adornado com o colar grifado.

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Domingo, 1 de Setembro de 2013

110 - Grifo


Grifo, animal mitológico.
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Quinta-feira, 1 de Agosto de 2013

109 – A Ira

    Iluminura do Livro de Horas de Robinet Testard, do último quartel do século XV, que representa a ira, um dos condenáveis sete pecados capitais.

 

    Na imagem vemos Leviatão, o alado diabo negro de asas vermelhas, a incitar um possesso da ira, o qual está montado num horroroso lobo, ao mesmo tempo que come a maçã vermelha da tentação e empunha uma adaga com a ponta abaixada, como a querer apunhalar-se.

 

    A tarja inferior mostra uma intensa luta, onde todos lutam até à exaustão, pois as mulheres blasfemam e se insultam, os acirrados cães se mordem com intensidade e os iracundos homens matam-se raivosamente. A cena pretende ilustrar que a ira destrói as relações humanas e é a causa próxima do ódio e das desavenças, porquanto a ira «é a debilidade de coragem, movida pela vaidade, pelo orgulho, pela injúria, pela loucura e pela má vontade».

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Segunda-feira, 1 de Julho de 2013

108 – Ex-Líbris de António Lima XV

    Ex-líbris heráldico de António Augusto de Matos Pinto Machado desenhado por António de Oliveira Lima em 1927, e gravado por zincogravura em 1928.

 

    Escudo peninsular esquartelado com as armas de: I – Pinto, II – Machado, III – Botelho, IV – Pereira; com elmo, virol, paquife e timbre de Pinto.

 

    António Augusto de Matos Pinto Machado, o titular desta marca, nasceu em Vila Real a 31 de Março de 1895, filho de Bernardino Pinto Machado de Azevedo e D. Bernardina da Conceição Gomes de Matos; foi oficial do Exército, proprietário, jornalista e director do Palácio de Cristal, do Porto; faleceu em Massarelos, freguesia da cidade do Porto, em 18 de Novembro de 1965.

 

ÁRVORE DE   COSTADOS DE ANTÓNIO AUGUSTO DE MATOS PINTO MACHADO

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

António Augusto de Matos Pinto Machado

 

* Vila Real, 1895

 

+ Porto, 1965

Bernardino Pinto Machado de Azevedo

 

* Folhadela, Vila Real, 1849

Dr. António Augusto Pinto Machado

* Vila Real, 1802

António Teixeira Pinto Machado de   Azevedo

D. Rosa Margarida Cândida Botelho de   Azevedo Carvalho

D. Ana Maria Vilela de Seixas da Fonseca

* Folhadela, Vila Real

Francisco de Seixas da Fonseca

Joana Fernandes Vilela

D. Bernardina da Conceição Gomes de Matos Pinto   Machado

 

* Vila Pouca de Aguiar, 1859

Custódio José Álvares de Matos

 

João António Álvares de Matos

Maria Teresa

D. Mariana Emília Gomes Carneiro

Luís Gomes de Araújo

Joaquina Rosa de Carvalho

 

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Sábado, 1 de Junho de 2013

107 – UM EX-LÍBRIS HERÁLDICO DO SÉCULO XVII

    Ex-líbris heráldico, para ser usado como super-libros armoriado, do dr. Cristóvão Soares de Abreu, desenhado e gravado a buril sobre cobre por Nicola de L’Armessin, em 1670, e gravado a ouro sobre pergaminho.

 

    Escudo esquartelado com as armas de Sequeira (I e IV) e Abreu (II e III), tendo sobre-o-todo as armas de Soares de Albergaria. Com elmo de frente, virol, paquife e timbre de Soares de Albergaria. A insígnia da Ordem de Cristo pende do elmo e a respectiva cadeia rodeia o exterior do escudo. Todo o conjunto é cercado por uma exuberante composição vegetalista, atada com um laço.

 

    O dr. Cristóvão Soares de Abreu, filho do dr. Francisco Soares de Abreu e de D. Catarina Luísa Brandão, nasceu em Talharezes, lugar da freguesia de São João da Ribeira, concelho de Ponte de Lima (1601).

    Foi moço-fidalgo da Casa Real (1615); genealogista; poeta; prosador; bibliófilo; formado em Direito na Universidade de Coimbra; magistrado; especialista em Jurisprudência; proprietário em Lisboa, Ponte de Lima e Alenquer; Senhor da Casa de Vale de Flores, em Cadafais, Alenquer, pelo seu casamento; cavaleiro da Ordem de Cristo (Janeiro de 1641); Juiz Desembargador Extravagante da Casa da Relação do Porto (18 de Janeiro de 1641); diplomata; secretário da embaixada especial enviada ao rei Luís XIII de França, para ajudar a defender os esforços da Restauração da Independência (3 de Fevereiro de 1641 – 22 de Julho de 1641); o Rei Dom João IV explica aos embaixadores Francisco de Melo, monteiro-mor do Reino, e dr. António Coelho de Carvalho, desembargador do Paço, que «os papéis e negócios da embaixada correrão por mãos de Cristóvão Soares de Abreu, que envio por secretário dela, com cuja pessoa vos recomendo que tenhais particular conta, e o ouçais sobre os mesmos negócios» (1641); desembarca em Lisboa para avisar El-Rei Dom João IV do fim da embaixada a França (8 de Agosto de 1641); 2.º Senhor do Morgadio de Soares de Abreu, de Lisboa, como sucessor de seu pai (1641); 2.º padroeiro da Capela de São Francisco do Convento de Santa Ana, em Lisboa (1641); recusou o posto de secretário da embaixada a França (1642); escreve uma carta com recomendações e advertências a D. Vasco Luís da Gama, Conde da Vidigueira, embaixador de Portugal em Paris (1642), Juiz Desembargador da Relação do Porto (1643); Juiz Ouvidor do Crime na Relação e Casa do Porto (6 de Fevereiro de 1645); Juiz Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação, de Lisboa (14 de Novembro de 1646); nomeado enviado plenipotenciário à Alemanha (Novembro de 1646); comendador da Comenda da Ordem de Cristo, do lote de 120$000 réis (13 de Dezembro de 1646); mercê de 120$000 réis de tença (15 de Dezembro de 1646); partiu de Lisboa com destino à Alemanha (19 de Dezembro de 1646); em Haia escreve ao Rei Dom João IV queixando-se que «eu me não acho com forças e capacidades para residir em Alemanha assistindo e agradando aos Principes della» pois «eu me não posso conformar por me aver criado no rigor da sobriedade Portuguesa» (9 de Agosto de 1647); enviado plenipotenciário ao Congresso de Osnabruck, na Alemanha, que preparou a Paz de Vestefália, a fim de terminar a Guerra dos Cem Anos (1647 – 1648); ministro residente de Portugal em França (1648 – 1651); escreve uma carta com recomendações e advertências a Francisco de Sousa Coutinho, novo embaixador em França (19 de Setembro de 1651); vereador do Senado da Câmara Municipal de Lisboa (Maio de 1652 – Setembro de 1671); D. Francisco Manuel de Melo dedica-lhe a obra A Visita das Fontes: Apólogo Dialogal Terceiro (1657); fidalgo da Cota de Armas, com armas de Sequeira, Abreu e Soares de Albergaria (1660); juiz conservador da Casa da Moeda de Lisboa (1666 – 1675); por ser o vereador mais antigo foi incumbido pela Câmara Municipal de Lisboa de pronunciar o discurso oficial de recepção ao rei Dom Afonso VI e à rainha D. Maria Francisca de Saboia, a quando da régia entrada na capital (29 de Agosto de 1666); o gravador Nicola de L’Armessin desenha e grava, a buril, o seu ex-líbris heráldico (1670); exonerado das funções de vereador do Senado da Câmara de Lisboa (5 de Setembro de 1671); apostila para que os 120$000 réis de tença que possui se juntem nos Almoxarifados do Reino (28 de Outubro de 1671).

 

    Escreveu e publicou:

Officium in Laudem Sacrosanti Eucharistiae Sacramenti Cum Litania, Lisboa, 1630.

Nobiliário de Christovão Soares de Abreu, 1641, manuscrito.

Advertências ao Conde da Vidigueira, Dando Instruções Para Sua Embaixada em Paris, 1643.

Diário, manuscrito, 1648.

Advertências a Francisco de Sousa Coutinho, 1651.

Oração de Christóvão Soarez d’Abreu em Presença das Majestades d’El Rey D. Afonso VI e da Rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya, Lisboa, 1666.

 

    Casou com D. Maria de Almeida do Amaral, natural de Alenquer e falecida em 27 de Junho de 1676 na freguesia do Socorro, cidade de Lisboa, e foi sepultada no Mosteiro dos Capuchos da Carnota, em Alenquer.

 

    Faleceu numa casa na Rua das Parreiras, freguesia de Nossa Senhora do Socorro, cidade de Lisboa, faz agora 329 anos (4 de Junho de 1684); foi sepultado na Capela de São Francisco do Convento de Santa Ana, das Religiosas Franciscanas, na freguesia da Pena, cidade de Lisboa (4 de Junho de 1684).

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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

106 – Ex-Líbris de António Lima XIV

    Ex-líbris do escritor Luís Coelho Monteiro de Andrade desenhado por António de Oliveira Lima em 1927. Representa um finíssimo coração de filigrana, anteposto por uma adaga desembainhada de ponta abaixada e encrustada com guarda de uma cruz flor-de-lis, tudo ladeado pela legenda ECCE COR MEUM.

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Segunda-feira, 1 de Abril de 2013

105 – A Cura do Jovem Possuído Pelo Demónio

    Iluminura referente à cura do jovem possuído pelo demónio, do fólio Très Riches Heures du Duc de Berry.

 

    Na imagem, que ilustra a liturgia do terceiro domingo da Quaresma, vemos Jesus Cristo a abençoar um jovem de corpo contorcido e cabeça pendente, que se debate e estrebucha nos braços de sua mãe por estar possuído por Belzebu, o Príncipe dos Demónios, sendo que este está representado por uma figura de diabinho alado e negro, que abandona o corpo do  moço, perante um coro de testemunhas do milagre divino.

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Sexta-feira, 1 de Março de 2013

104 – Cantigas de Santa Maria

Iluminura medieval das Cantigas de Santa Maria, de Afonso X, o Sábio, Rei de Castela.

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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013

103 – A Inveja

Iluminura do Livro de Horas de Robinet Testard, do último quartel do século XV, que representa a inveja como um dos sete pecados mortais.

 

Na parte superior da gravura, um cavaleiro que simboliza a inveja, segura na mão direita um corvo. Na tarja inferior, a cena mostra três homens a murmurar abertamente corroídos de inveja da riqueza que um burguês luxurioso ostenta atrás duma secretária. Belzebu, o diabo amarelo e símbolo da inveja, aguarda o momento oportuno para intervir.

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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2013

102 – Ex-Líbris de António Lima XIII

Ex-líbris usado por António de Oliveira Lima, desenhado por ele próprio.

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Sábado, 1 de Dezembro de 2012

101 – Adoração dos Reis Magos

    Representação da Adoração dos Reis Magos no Livro de Horas de Dom Manuel I, fólio do século XVI. A iluminura apresenta uma notável colecção de moedas de ouro e prata portuguesa e espanhola, para além, claro, do motivo central.

 

    No primeiro plano do quadro principal da iluminura vemos uma guarda de janízaros e de notáveis ricamente vestidos de brocado e guarnecidos de pérolas e, ainda o habitual cão sempre presente, a fazerem escolta aos três Reis Magos, prostrados na adoração que prestam ao Deus Menino e à Sagrada Família, atrás dos quais espreitam a vaca e o burro, presença constantes e secular dos presépios. São José, de capa vermelha, está à ilharga de Maria, de manto anil puro, que segura o menino no colo. Ao fundo, à esquerda do observador e por detrás das colunas, uma monumental caravana de elefantes, camelos e cavalos, reminiscência da celebérrima embaixada que o Rei Venturoso mandou ao papa, corria o ano de 1514. Dos motivos arquitectónicos que compõem a cena, destaque para as duas gigantescas colunas do pórfiro e o edifício em ruínas, que simboliza a Casa de David.

 

    A tarja que serve de cercadura mostra uma esplendorosa constelação de moedas de ouro e prata, pérolas e pedras preciosas. Na orla do lado esquerdo observamos, em reverso e anverso, três moedas espanholas do reinado dos Reis Católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, cujas efígies régias representadas nestas “doblas de ouro” estão voltadas um para o outro. Logo abaixo, temos cinco meios-vinténs manuelinos, em prata, de quinas redondas e cruz floreada diminuta. As moedas seguintes, um conjunto de quatro cruzados portugueses com a particular irregularidade de ainda apresentarem a flor-de-lis de Dom João I e os escudetes laterais contrários à reforma imposta pelo Rei Dom João II, em 1485. O grupo das três moedas seguintes é formado por dois vinténs de prata e um de ouro de Dom João III.

 

    Já na tarja de pé-de-página, o primeiro conjunto representa cinco moedas portuguesas, no caso o meio-tostão de Dom João III e do tostão de prata de Dom Manuel I, em primeiro plano, com a Cruz de Cristo e a inscrição IN HOC SIGNO VINCES. No meio, novo conjunto de cinco moedas de ouro, os célebres “portugueses” do reinado de Dom João III, cunhados em Novembro de 1538 a pedido das Cortes Gerais de Torres Novas, com a Cruz de Cristo e a mesma legenda IN HOC SIGNO VINCES. A tarja inferior termina com três moedas, o meio-tostão de prata de Dom João III com a Cruz de S. Jorge e o “espadim” de ouro de Dom Afonso V.

 

    A orla lateral direita, apresenta ao alto o “ceitil” de ouro com o escudo sem coroa real, e, por ordem descendente, sempre dois exemplares do vintém de prata de Dom João II, da moeda espanhola com a efígie do rei Fernando, do vintém de prata de Dom Manuel I, do vintém de ouro de Dom João III e, por fim, três exemplares duma moeda de ouro ainda com a Cruz de Avis e a forma amendoada do escudo, que parece ser o “real de dez soldos” de Dom João I, identificação muito controversa.

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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2012

100 – Ex-Líbris de António Lima XII

Extraordinário ex-líbris heráldico da biblioteca de António Maria de Sousa Sardinha desenhado por António de Oliveira Lima, em data indeterminada, e gravado a zincogravura.

 

Escudo peninsular esquartelado com as armas de: I – Mergulhão, II – Sardinha, III – Lobão e IV – Teles de Menezes; com elmo, virol, paquife e timbre de Mergulhão; divisa com a legenda “AGERE CONTRA”; tudo dentro duma espantosa cercadura com motivos vegetalistas e o cavaleiro S. Jorge a investir de lança em riste contra o dragão do mal na tarja inferior.

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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2012

99 – A Gula

 

 

    Iluminura do Livro de Horas de Robinet Testard, do último quartel do século XV, que representa a gula, um dos sete pecados capitais.

 

    No espaço maior, em cima, dentro duma sala vemos uma personagem, a caricatura dum gordo e desprezível burguês, montada num peludo e disforme javali, segurando numa das mãos um enorme presunto, enquanto bebe desenfreadamente dum canjirão, a fim de sobrealimentar uma rotunda pança.

 

    Na tarja inferior, a cena mostra oito figuras de ambos os sexos durante uma pantagruélica almoçarada. Comem e bebem desalmadamente até ao extremo do vómito para voltar a comer de seguida, durante um banquete de todos os excessos, sob o olhar atento do demónio que a todos instiga na ânsia de recolher as pecaminosas almas.

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Domingo, 2 de Setembro de 2012

98 – Ex-Líbris de António Lima XI

Ex-líbris de António Maria de Sousa Sardinha desenhado por António de Oliveira Lima, em data indeterminada.

António Sardinha nasceu em Monforte do Alentejo a 9 de Setembro de 1887, faz agora 125 anos, e faleceu em Elvas a 10 de Janeiro de 1925, filho de José Maria da Silva Sardinha e de Maria do Rosário de Sousa Sardinha. Foi poeta (1902); aluno da Universidade de Direito (1906 – 1911); formado em Direito (1911); advogado; monárquico; fundador da revista NAÇÃO PORTUGUESA (1914); fundador e dirigente do Integralismo Lusitano (1914); ensaísta (1915); historiador; político; polemista; doutrinador; erudito; intelectual; redactor principal do jornal A MONARQUIA (1917); deputado da Nação, pelo círculo de Elvas (1918); nomeado governador civil do distrito de Portalegre, durante a Monarquia do Norte (20 de Janeiro de 1919); exilado em Espanha (1919 – 1921); director da NAÇÃO PORTUGUESA: Revista de Cultura Nacionalista (1922 – 1923); cronista; conferencista; escritor.

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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2012

97 – A Avareza

    Iluminura do Livro de Horas de Robinet Testard, do último quartel do século XV, que representa a avareza, um dos abomináveis sete pecados capitais.

 

    Na parte superior da iluminação, vemos um cavaleiro montado num lobo voraz, para simbolizar o apetite avarento pelo dinheiro, ao mesmo tempo que exibe e derrama a bolsa vermelha repleta de moedas de ouro, trazendo presa à cintura, ainda, outra saca preta enorme e recheada. No seu encalço vem o diabo.

 

    Na tarja inferior, a cena mostra oito figuras sovinas dentro dum quarto. Sentado na cama, um rico burguês conta as suas moedas de ouro em frente doutro opulento. Ao centro, uma senhora exibe a sua bolsa negra e recheada às suas jovens pupilas, a quem amestra como serem somíticas. Na ponta da esquerda, três personagens da alta-roda mostram à competição as suas bolsas, com o objectivo de saber quem tem mais riqueza. Todos vivem para desfrutar os imundos prazeres e vícios da avareza.

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Domingo, 1 de Julho de 2012

96 – Ex-Líbris de António Lima X

 

Ex-líbris heráldico de Abílio Pacheco Teixeira Rebelo de Carvalho, desenhado por António de Oliveira Lima, presumivelmente em 1927, e gravado a zincogravura.

 

Escudo peninsular partido, com o II cortado, com as armas de: I – Pacheco, de Duarte Pacheco Pereira; II cortado – 1.º, Teixeira; 2.º, Rebelo. Com elmo e timbre de Pacheco.

 

Árvore de Costados de Abílio Pacheco Teixeira Rebelo de Carvalho

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

Abílio Pacheco Teixeira Rebelo de Carvalho

 

* Póvoa de Varzim 1894

 

+ Lisboa 1988

João Baptista de Carvalho

 

* Bahia, Brasil 1842

 

+ Póvoa de Varzim 1910

Francisco António de Carvalho

 

* Lousada 1801

 

+ Lousada 1873

Alferes Francisco António de Miranda Barbosa de Saldanha

 

* Lousada 1763

+ Lousada 1806

D. Rosa Maria de Jesus Pereira de Oliveira Carvalho

 

* Felgueiras 1766

+ Lousada 1852

Eustáquia Virgínia Pires de Aragão

 

* Brasil

 

 

 

D. Rosinda de Castro Pacheco Teixeira Rebelo

 

* Lousada 1871

 

+ Porto 1942

Dr. João Manuel Pacheco Teixeira Rebelo

 

* Lousada 1845

 

+ Lousada 1901

Luís António Teixeira das Neves Rebelo de Magalhães

 

* Lousada 1813

+ Lousada 1863

D. Rita Pacheco Monteiro Dias de Freitas

 

* Lousada 1820

+ Lousada 1897

D. Maria de Sampaio de Castro Leite da Costa

 

* Fafe 1837

 

+ Lousada 1922

José António de Castro Sampaio Leite da Costa

 

* Fafe 1796

+ 1860

D. Josefa Maria da Rocha Magalhães

 

* Guimarães 1807

+ 1884

 

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Quarta-feira, 6 de Junho de 2012

95 – Os Sete Pecados Capitais

Iluminura francesa do século XV com alegoria aos sete pecados capitais, representados por figuras humanas em cima das bestas: a ira = javali; a avareza = lobo; a luxúria = cão; a inveja = macaco; a soberba = leão; a preguiça = burro; a gula = urso.

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Terça-feira, 1 de Maio de 2012

94 – Ex-Líbris de António Lima VIII

  Ex-líbris heráldico do dr. Francisco Carneiro de Assis Teixeira, desenhado por António de Oliveira Lima em 1927 e gravado a buril por André Victor Edouard Devambez. Escudo de fantasia esquartelado, com as armas de: I – Magalhães, II – Teixeira, III – Coelho e IV – Cunha; com coronel de Conde e timbre de Magalhães, por debaixo do listel com a divisa “DUM SPIRO SPERO”, tudo envolto por uma elegante cartela de belíssimo efeito decorativo.

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Domingo, 1 de Abril de 2012

93 – Abril

 

 O mês de Abril num Livre d’Heures Français do século XV, com um homem jovem a segurar um falcão.

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Sexta-feira, 16 de Março de 2012

92 – Ex-Líbris de António Lima VII

Ex-líbris de Luís Ferreira Alves, morador em Vila Nova de Gaia e dirigente desportivo, desenhado por António de Oliveira Lima em 1922. Colecção de Jofre de Lima Monteiro Alves.
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

91 – Fevereiro

 

 

 

    O mês de Fevereiro num Livre d’Heures Français do século XV, com um camponês a aquecer-se junto duma chaminé.

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Domingo, 1 de Janeiro de 2012

90 – Ex-Líbris de António Lima VI

Ex-líbris do dr. Jaime Pinto Osório, Juiz de Direito na Comarca Judicial de Paredes de Coura, desenhado por António de Oliveira Lima em 1921. Colecção de Jofre de Lima Monteiro Alves.

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Sábado, 3 de Dezembro de 2011

89 – Livro de Horas de Dom Manuel I: Visitação

    Representação da Visitação no Livro de Horas de Dom Manuel I, fólio do século XVI. O quadro central retrata o encontro de Santa Isabel, ajoelhada perante a Virgem Maria, na presença de dois anjos caudatários que seguram o manto anil da Virgem, com uma mansão senhorial como pano de fundo. Duas azenhas preenchem a tarja de pé de página.

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Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

88 – Ex-Líbris de António Lima V

Ex-líbris do dr. Alberto Eduardo Valado Navarro (1891+1972), 3.º Visconde da Trindade, desenhado em 1920 por António de Oliveira Lima e gravado por zincogravura na década de 1920.

 

Escudo de fantasia com as armas plenas de Sousa, do Prado, com coronel de conde e timbre de Sousa, do Prado; listel com a divisa «SANS PEUR ET SANS REMORDS»; tudo dentro de cercadura alegórica com motivos fitomórficos.

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