Sábado, 1 de Junho de 2013

107 – UM EX-LÍBRIS HERÁLDICO DO SÉCULO XVII

    Ex-líbris heráldico, para ser usado como super-libros armoriado, do dr. Cristóvão Soares de Abreu, desenhado e gravado a buril sobre cobre por Nicola de L’Armessin, em 1670, e gravado a ouro sobre pergaminho.

 

    Escudo esquartelado com as armas de Sequeira (I e IV) e Abreu (II e III), tendo sobre-o-todo as armas de Soares de Albergaria. Com elmo de frente, virol, paquife e timbre de Soares de Albergaria. A insígnia da Ordem de Cristo pende do elmo e a respectiva cadeia rodeia o exterior do escudo. Todo o conjunto é cercado por uma exuberante composição vegetalista, atada com um laço.

 

    O dr. Cristóvão Soares de Abreu, filho do dr. Francisco Soares de Abreu e de D. Catarina Luísa Brandão, nasceu em Talharezes, lugar da freguesia de São João da Ribeira, concelho de Ponte de Lima (1601).

    Foi moço-fidalgo da Casa Real (1615); genealogista; poeta; prosador; bibliófilo; formado em Direito na Universidade de Coimbra; magistrado; especialista em Jurisprudência; proprietário em Lisboa, Ponte de Lima e Alenquer; Senhor da Casa de Vale de Flores, em Cadafais, Alenquer, pelo seu casamento; cavaleiro da Ordem de Cristo (Janeiro de 1641); Juiz Desembargador Extravagante da Casa da Relação do Porto (18 de Janeiro de 1641); diplomata; secretário da embaixada especial enviada ao rei Luís XIII de França, para ajudar a defender os esforços da Restauração da Independência (3 de Fevereiro de 1641 – 22 de Julho de 1641); o Rei Dom João IV explica aos embaixadores Francisco de Melo, monteiro-mor do Reino, e dr. António Coelho de Carvalho, desembargador do Paço, que «os papéis e negócios da embaixada correrão por mãos de Cristóvão Soares de Abreu, que envio por secretário dela, com cuja pessoa vos recomendo que tenhais particular conta, e o ouçais sobre os mesmos negócios» (1641); desembarca em Lisboa para avisar El-Rei Dom João IV do fim da embaixada a França (8 de Agosto de 1641); 2.º Senhor do Morgadio de Soares de Abreu, de Lisboa, como sucessor de seu pai (1641); 2.º padroeiro da Capela de São Francisco do Convento de Santa Ana, em Lisboa (1641); recusou o posto de secretário da embaixada a França (1642); escreve uma carta com recomendações e advertências a D. Vasco Luís da Gama, Conde da Vidigueira, embaixador de Portugal em Paris (1642), Juiz Desembargador da Relação do Porto (1643); Juiz Ouvidor do Crime na Relação e Casa do Porto (6 de Fevereiro de 1645); Juiz Desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação, de Lisboa (14 de Novembro de 1646); nomeado enviado plenipotenciário à Alemanha (Novembro de 1646); comendador da Comenda da Ordem de Cristo, do lote de 120$000 réis (13 de Dezembro de 1646); mercê de 120$000 réis de tença (15 de Dezembro de 1646); partiu de Lisboa com destino à Alemanha (19 de Dezembro de 1646); em Haia escreve ao Rei Dom João IV queixando-se que «eu me não acho com forças e capacidades para residir em Alemanha assistindo e agradando aos Principes della» pois «eu me não posso conformar por me aver criado no rigor da sobriedade Portuguesa» (9 de Agosto de 1647); enviado plenipotenciário ao Congresso de Osnabruck, na Alemanha, que preparou a Paz de Vestefália, a fim de terminar a Guerra dos Cem Anos (1647 – 1648); ministro residente de Portugal em França (1648 – 1651); escreve uma carta com recomendações e advertências a Francisco de Sousa Coutinho, novo embaixador em França (19 de Setembro de 1651); vereador do Senado da Câmara Municipal de Lisboa (Maio de 1652 – Setembro de 1671); D. Francisco Manuel de Melo dedica-lhe a obra A Visita das Fontes: Apólogo Dialogal Terceiro (1657); fidalgo da Cota de Armas, com armas de Sequeira, Abreu e Soares de Albergaria (1660); juiz conservador da Casa da Moeda de Lisboa (1666 – 1675); por ser o vereador mais antigo foi incumbido pela Câmara Municipal de Lisboa de pronunciar o discurso oficial de recepção ao rei Dom Afonso VI e à rainha D. Maria Francisca de Saboia, a quando da régia entrada na capital (29 de Agosto de 1666); o gravador Nicola de L’Armessin desenha e grava, a buril, o seu ex-líbris heráldico (1670); exonerado das funções de vereador do Senado da Câmara de Lisboa (5 de Setembro de 1671); apostila para que os 120$000 réis de tença que possui se juntem nos Almoxarifados do Reino (28 de Outubro de 1671).

 

    Escreveu e publicou:

Officium in Laudem Sacrosanti Eucharistiae Sacramenti Cum Litania, Lisboa, 1630.

Nobiliário de Christovão Soares de Abreu, 1641, manuscrito.

Advertências ao Conde da Vidigueira, Dando Instruções Para Sua Embaixada em Paris, 1643.

Diário, manuscrito, 1648.

Advertências a Francisco de Sousa Coutinho, 1651.

Oração de Christóvão Soarez d’Abreu em Presença das Majestades d’El Rey D. Afonso VI e da Rainha D. Maria Francisca Isabel de Saboya, Lisboa, 1666.

 

    Casou com D. Maria de Almeida do Amaral, natural de Alenquer e falecida em 27 de Junho de 1676 na freguesia do Socorro, cidade de Lisboa, e foi sepultada no Mosteiro dos Capuchos da Carnota, em Alenquer.

 

    Faleceu numa casa na Rua das Parreiras, freguesia de Nossa Senhora do Socorro, cidade de Lisboa, faz agora 329 anos (4 de Junho de 1684); foi sepultado na Capela de São Francisco do Convento de Santa Ana, das Religiosas Franciscanas, na freguesia da Pena, cidade de Lisboa (4 de Junho de 1684).

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:00
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